Reflexões de Regiane

Qual o verdadeiro significado de dizer eu te amo?

Muitas pessoas acreditam que amar é o renascer da felicidade, esplendida como uma joia valiosa que se não for moldada na estatura real não chegará a ter valor algum.
Como perceber diante dos olhos a sinceridade que ecoa nos meus pensamentos tentando buscar o sentido do que sempre nos complementa nos fortalece...                       
Apesar de dizer eu te amo, existem momentos em que na busca excessiva de amar preciso me descobrir como um ser que sente o meu peito arder como chamas a procura de um amor que me transforme a cada dia.
Muitos dizem amar, porém não conhece o real sentido do amor. Amor constrói linhas positivas de afeto, desperta esperança em meio a conflitos internos.                       
Busca cessar a tristeza e preencher os espaços vazios com palavras e ações construtivas. É difícil traduzir seu significado quando as pessoas não percebem o seu sentido.                       

Dizer eu te amo vai além do céu e da terra, procura permanecer dentro do peito como uma válvula de escape que impulsa o controle de todos os sentidos... Quando a humanidade se de conta de como é possível amar sem ter nada e troca, que perceber que o amor surge e permanece dentro do coração como riqueza de duas almas incorporadas em um tornando dois corpos em apenas um. Apesar do amor está quase extinto acredito que as mudanças internas só serão possíveis quando realmente descobrimos o valor de amar.

REFLEXÕES DE REGIANE

Meu amor.. .
Muitas vezes procuramos entender de onde aparece tanto receio ou alegrias, sentimentos aos quais se entrelaçam explodindo no peito por um grito de socorro. Nesse momento podemos perceber a intensidade das vibrações que cada batida do nosso coração ecoa num silêncio inexplicável. Cada palavra tem seus significados marcantes da mesma forma que cada ação nos torna capazes de evoluir. Engraçado é entender toda sintonia voltada por pensamentos considerados ocultos que ao perceber vive mais intenso que qualquer outra espécie de vidas
 Assim como seres evoluídos somos o que somos e não há como mudar de fato mais podemos nos tornarmos seres vitoriosos por cada minuto apreciar a vida.                       
Deus traz pra gente novas expectativas a cada momento. Seja ela de construção, reconstrução ou evolução.  Um sorriso não se apaga na dor de uma alma ferida mais se transforma em grande vitória quando se busca auxilio nos braços de quem ama. Não relato amor de prazer entre dois corpos , mais o amor que atravessa anos em anos em busca de cessar seu desejo intenso de se auto completa. Não podemos dizer que os sonhos que buscamos, que cada queda ou cada avanço não houve o resultado esperado. Devemos acredita nas etapas da vida como momentos de reflexão entre o que toleramos e o que precisamos consertar. A vida é assim um palco cheio de mistérios mais também o berço de uma alma.                       

O espetáculo continua todas as noites, todos os dias.... o renascer do sol traz um motivo para sorrir, para suspirar e mostrar que apesar dos meus olhos não poder enxergar os seus , das minhas mãos não te tocar não me impeça de cada dia te sentir mais vivo dentro de mim. Não deixe que os pensamentos afoguem as memórias construídas, pois cada lembrança te manterá cada vez mais sábio, valente e feliz.
AUTOR: Regiane Vieira.

FELIZ DIA DAS MÃES


MINHA ETERNA PAIXÃO
Benício Rios.
Hoje estamos passando para homenagear uma pessoa muuuuuuuito especial. Sabe quem é? É você mesmo, mamãe. Sabe por quê? Por motivos pequenos e gestos bem grandes que só você, mãe, seria capaz de fazer.
Mãe,
Lembra quando sorriu para mim pela primeira vez?
- Me apaixonei: Você foi a primeira mulher da minha vida. Minha paixão.
Quando me colocou nos braços pela primeira vez  eu me senti tão seguro, que se eu pudesse nunca mais sairia dali, mas sempre chegava alguém para me tirar do teu colo, até eu chorar... chorar... e ser devolvido pra você.
Quando eu caí e chorei, foi você que enxugou os meus olhos, e com o seu toque, sarou minhas feridas: e que poder tem esse toque, mamãe.
Aí que eu descobri que além de mãe, você também é minha melhor amiga. Afinal não são para os melhores amigos que contamos nossos segredos? – Lembra de quantos segredos eu te contei, mamãe? Esqueceu né? Porque era segredo... e aí, até pra mim, você faz de conta que não lembra mais.

Obrigado, mamãe, por ser a minha primeira e eterna paixão!  

BREVE HISTÓRICO SOBRE ROMEU E JULIETA E ATIVIDADE

Por Ana Lucia Santana
Este clássico da literatura universal vem há séculos seduzindo gerações de leitores apaixonados, que encontram nas páginas tecidas pelo inglês William Shakespeare uma das mais belas e trágicas histórias de amor de todos os tempos. A história de Romeu e Julieta praticamente transformou-se em um arquétipo da psique humana, como ocorreu, por exemplo, com o mito de Édipo, criado por Sófocles, célebre dramaturgo grego, e convertido por Sigmund Freud em um conceito fundamental da Psicanálise.
Esta tragédia shakespereana, elaborada entre 1591 e 1595, não é significativa apenas por enfocar o amor proibido entre dois jovens na Verona renascentista, mas também por denunciar a hipocrisia e as convenções sociais, os interesses econômicos e a sede de poder, elementos que engendram inevitavelmente a intolerância e condenam o sentimento nobre que brota dos corações de Romeu e Julieta.
Nesta cidade italiana, aproximadamente em 1500, duas famílias tradicionais, os Montecchios e os Capuletos, cultivam uma intensa e insustentável inimizade que já remonta a vários anos. Independente desta rivalidade, Romeu e Julieta, filhos únicos destes poderosos clãs, se apaixonam e decidem lutar por este sentimento.
Os amantes se conhecem em uma festa promovida pelo líder dos Capuletos, pai da jovem. Romeu, evidentemente, não foi convidado mas, acreditando estar apaixonado por Rosaline, uma das moças presentes no evento, se oculta sob um engenhoso disfarce e vai à celebração. Uma vez, porém, que ele se depara com Julieta, a imagem da outra garota desaparece de seu coração, e nele agora só há espaço para a jovem desconhecida. Logo depois os dois descobrem que pertencem a famílias que se odeiam.
Romeu, logo depois da festa, oculto no jardim, ouve involuntariamente o diálogo de Julieta com as estrelas, durante o qual ela confessa sua paixão. Ele então a procura e se declara. Um dia depois os dois, com o auxílio do Frei Lawrence, que pertence ao círculo de amizades do jovem, se casam em segredo.
Mas asombra da tragédia parece persegui-los. Neste mesmo dia Romeu se envolve sem querer em uma briga com o primo de Julieta, Tebaldo, que ao descobrir a presença do Montecchio na festa de seus tios, planeja uma revanche contra ele. A princípio o jovem não aceita provocações, mas seu amigo Mercúcio confronta o adversário e é morto por ele, o que provoca a revolta de Romeu, o qual mata Tebaldo para se vingar.
Esta morte acirra ainda mais o ódio entre as famílias e o Príncipe da cidade manda Romeu sair de Verona. O velho Capuleto, sem saber da união de sua filha com o inimigo, arranja o casamento da filha com Páris. O frei a convence a aceitar o matrimônio, mas arma um plano. Pouco antes da cerimônia Julieta deverá ingerir uma poção elaborada por ele; com a ajuda deste preparado ela será considerada morta.
Romeu seria avisado e retornaria para retirá-la do jazigo dos Capuleto assim que ela despertasse. Porém, como não poderia ser diferente em uma tragédia de Shakespeare, Romeu descobre o ocorrido antes de ser notificado pelo Frei. Desesperado, ele adquire uma poção venenosa e, na sepultura onde se encontra a amada, ingere o conteúdo do frasco e morre junto à Julieta.
A jovem, ao acordar, se dá conta do que aconteceu e, com o punhal roubado de Romeu, se mata. Os dois são encontrados juntos, mortos, para completo desespero dos familiares. Abalados com a tragédia, eles se reconciliam definitivamente.
A peça de Shakespeare teve inúmeras montagens e versões ao longo do tempo. A história também foi transposta para as telas dos cinemas. As duas versões mais conhecidas são a de Franco Zeffirelli, de 1968, protagonizada por Leonard Whiting e Olívia Hussey; e a de Baz Luhrmann, de 1996, interpretada por Leonardo DiCaprio e Claire Danes, a qual se passa no mundo atual.

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atividade -  assista o filme abaixo, baseado na peça, e em seguida responda as questões que seguem 


Teste seus conhecimentos sobre Romeu e Julieta, a mais famosa história de amor de todos os tempos. Um clássico que tem encantado gerações há mais de 400 anos.

1 - Qual o motivo de o amor de Romeu e Julieta ser impossível?
a) Julieta estava prometida em casamento
b) Romeu era pobre
c) As famílias eram rivais
d) Eles tinha uma diferença de idade muito grande
e) O pai de Romeu havia brigado com o irmão de Julieta

2 - Como Romeu e Julieta conseguem se casar?
a) O pai de Julieta promete a Romeu a mão da filha em casamento em troca de favores
b) O pai de Romeu permite a união por causa do grande dote oferecido pelo pai de Julieta, que se beneficiaria com o casamento
c) Eles fogem para uma cidade distante e lá se casam
d) Julieta vai à Igreja sob o pretexto de confessar e lá se casa com Romeu, que, por ser amigo do padre, conseguiu que a cerimônia fosse realizada
e) Eles não conseguem se casar

3 - O que acontece com Mercúrio, grande amigo de Romeu?
a) Casa-se com Rosalina
b) Se torna o príncipe de Veneza
c) Termina na prisão por matar Teobaldo
d) Termina na prisão por matar Romeu, pois amava Julieta
e) É morto por Teobaldo

4 - Por que Romeu precisa fugir?
a) Porque Páris, pretendente de Julieta, fica sabendo do casamento e quer matar Romeu
b) Porque mata Teobaldo, primo de Julieta
c) Porque mata Mercúrio
d) Ele não precisa fugir. Quem tem motivos para a fuga é seu pai, que mata o pai de Julieta
e) Porque Julieta se casa com Páris e ele não consegue suportar não ficar com sua amada

5 - Como Romeu descobre a "morte" de Julieta?
a) Um amigo que ele mandou para saber notícias de Julieta vê o corpo da moça sendo levado para a sepultura
b) O pai de Julieta envia um comunicado à família Montecchio noticiando a morte da jovem e dando detalhes sobre o velório e sepultamento
c) A mãe de Julieta o acusa formalmente da morte da filha e manda prendê-lo
d) Julieta morre nos braços de Romeu
e) Romeu é avisado pelo padre da morte de Julieta

6 - Como Julieta consegue se livrar do casamento com Páris?
a) Ela é incentivada pelo padre a tomar uma poção que lhe deixará aparentemente morta
b) Ela consegue convencer seus pais de que só será verdadeiramente feliz com Romeu, seu amor de verdade
c) Páris é agressivo com Julieta e o pai da moça repudia o ato
d) Páris é morto por Romeu antes do casamento
e) Páris perde todo seu dinheiro em um jogo de pôquer, e isso entristece a família Capuleto

7 - Como é o nome do escritor de Romeu e Julieta?
 (W_ _ _ _ _ _ S_ _ _ _ _ _ _ _ _ _)

8 - Como é o final da história de Romeu e Julieta?
a) Romeu se suicida após saber que Julieta casou-se com Páris, e esta também se mata após saber da morte de Romeu
b) Romeu se mata por pensar que Julieta está morta, e esta também comete suicídio ao ver seu amado sem vida
c) Romeu e Julieta fogem para uma cidade distante de Verona, onde se casam, viram comerciantes e têm 3 filhos
d) As famílias fazem as pazes após uma ordem vinda do príncipe, e o casamento dos dois jovens é permitido
e) Os dois resolvem morrer juntos e serem felizes no paraíso, porque sabem que na Terra sua felicidade será impossível devido às constantes brigas entre seus familiares

9 - Romeu e Julieta foi escrito em forma de livro. Verdadeiro ou falso?
a) Verdadeiro   b) Falso

GABARITO: C | D | E | C | A | A | William Shakespeare | B | B

OBRIGADO

Estávamos sedentos de tesão naquele dia.
Mas uma coisa fazia de mim uma pessoa infeliz.
Mesmo uma corda me apertando por dentro,
Continuamos até onde eu pude aguentar.
Quando não pude mais, eu pedi para que você embora
E nunca mais voltasse, me esquecesse
e fingisse que nada entre nós havia acontecido.
Mas não, você teimou, chorou, insistiu e ficou.
(...)
Você sabia dos obstáculos, da corda bamba na qual teria que andar
Todos os dias, e que a qualquer momento poderia
Cair e se machucar – e feio!
Mas não, você teimou, chorou, insistiu e ficou.
Ficou ali, me olhando, dizendo que queria.
Eu não pedi que ficasse. Mas no fundo esse era o meu desejo,
Pois por mais que eu demonstrasse dureza  e independência,
Eu só queria um abraço.
Você ficou e me deu esse abraço.
Com o meu peito molhado pelas suas lagrimas,
Agradeci aos céus e só pedi uma coisa: Que fosse para sempre!
A corda bamba? Ela foi armada.
Mas juntos não tivemos medo dela. Encaramos ela todas as vezes.
Se vamos cair? Ainda não sei, mas se cairmos,

Levantaremos juntos.

Fichamento do livro: A HORA DA ESTRELA (CLARICE LISPECTOR)

Colégio: Adahil Barreto / 8º ANO “A”
Karine Silva De Matos
Fichamento do livro: A hora da estrela
Iguatu 2017
“Mesmo admitindo ter um público mais reduzido, ela não conseguiria abrir mão de seu traçado: tem gente que cose para fora, eu coso para dentro.” (pág. 03).
“A do autor do livro que, embora sem rosto definido, se dá a conhecer nos comentários que faz.” (pág. 04).
“Está em jogo à linguagem – seu poder de conhecimento, de comunicação e de convencimento – e, com ela, debatam-se a existência humana e os laços sociais.” (pág. 05).
“Tudo no mundo começou com um sim.” (pág. 06).
“A vivência de culpa, como se houvesse um erro fundamental a ser senado, desponta desde o primeiro subtítulo do livro – A culpa é minha.” (pág.07).
“O leitor ora é alguém com quem se solidariza, mesmo que na dor ou no desamparo, ora é alguém de quem quer distância.” (pág.08).
“Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto.” (pág.09).
“O seu método de trabalho configura-se como um verdadeiro ritual de iniciação estou esquentando o corpo para começar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem.” (pág.10).
“Não notem sequer que são facilmente substituíveis (...). como Baudelaire, ainda sente-se atraído por esse mundo sórdido e precário.” (pág.11).
“A sua única conquista amorosa e desajeitado Olimpo, foge-lhe das mãos como água.” (pág.12).
“Eu não sou intelectual escrevo com o corpo.” (pág.13).
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. O sertanejo é antes de tudo um paciente.” (pág.14).
“O silêncio constitui a manifestação estremada da linguagem esvaziada, mas que emite novas significações.” (pág.15).
“Com o gesto de dedicar-se, sobretudo, com os destinatários, o antigo Schumann e sua doce clara que hoje são ossos, ai de nós.” (pág.16).
“Zonas assustadoramente inesperadas. Esta sintonia concentra todos os tempos: todos esses projetos do presente e que mim me vaticinaram a mim mesmo.” (pág.17).
“O desafio é dizer sim como Clarice Lispector, para continuarmos inventando o mundo.” (pág. 18).
“Dedico-me á cor rubra e escarlate como o meu sangue de homem em plena idade e, portanto dedico-me a meu sangue.” (pág. 19).
“Resposta esta que alguém no mundo má dê. Vós? É uma história tecnicolor para ter algum luxo, por Deus eu também preciso. Amém para nós todos.” (pág. 20).
“Que ninguém me engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.” (pág. 21).
“Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espirito ou saudade por lhe faltar coisa mais precioso do que ouro.” (pág. 22).
“Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela.” (pág. 23).
“Sim, mas não esquecer que pode escrever não – importa – o – quê o meu material básico é palavra.” (pág. 24).
“A pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para os outros na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque ao menos a olham.” (pág.25).
“Alegre com brio. Tentarei tirar ouro do carvão sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem bola.” (pág.26).
“Não tenho medo de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” (pág.27).
“Comer a hóstia será sentir o insosso do mundo e banhar-se no não.” (pág.28).
“Essa ideia de borboleta branca vem de que, se a moça vier a se casar, casar-se a magra e bebe, e, como virgem, de branco.” (pág.29).
“Trata-se de moça que nunca se viu nua porque tinha vergonha. Vergonha por pudor ou por ser feia? Pergunto-me também como é que eu vou cair de quatro e fatos e fatos.” (pág.30).
“Para desenhar a moça tenho que me domar e para poder captar sua alma tenho que me alimentar frugalmente de frutas.”(pág.31).
“O jeito e começar de repente assim como eu me lanço de repente na água gélida do mar, modo de enfrentar com uma coragem suicida o intenso frio.” (pág.32).
“Pareceu-lhe que o espelho baço e escurecido não refletia imagem algum logo depois passou a ilusão e enxergou a cara.” (pág.33).
“Carregar em costa de formiga um grão de açúcar ela era de leve como uma idiota , só que não o era.” (pág.34).
“Ela toda era um pouco encardida, pois raramente se lavava.” (pág.35).
“A mulherice só lhe nasceria tarde porque até no capim vagabundo há desejo do sol.” (pág.36).
“Pois a vida é assim: Aperta-se o botão e a vida acende.” (pág.37).
 “Uma vez por outra tinha a sorte de ouvir de madrugada um galo cantar a vida e ela se lembrava de nostálgica do sertão.” (pág.38).
“Estavam cansados demais pelo trabalho que nem por ser anônimo era menos árduo.” (pág.39).
“Quanto a ela, até mesmo de vez em quando ao receber o salário comprava uma rosa.” (pág.: 40).
“Para ela a realidade era demais para ser acreditada, aliás, a palavra “realidade” não lhe dizia nada. Nem a mim, por Deus.” (pág.41).
“Na verdade por pior a infância é sempre encantada.” (pág.42).
“Durante o dia eu faço, como todas, gestos despercebidos por mim mesmo.” (pág.43).
“Mas nunca se sabe, quem espera, sempre alcança.” (pág.44).
“Talvez fosse assim para se defender da grande tentação de ser infeliz de uma vez e ter pena de si.” (pág.45).
“Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo e um pouco triste e um pouco só.” (pág.46).
“Ás vezes só a mentira salva.” (pág.47).
“O coração batendo como se ela tivesse englutido do um passarinho esvoaçante e preso.” (pág.48).
“Eu prefiro continuar o nunca ser chamado em vez de ter um nome que ninguém tem, mas parece que deu certo.” (pág.49).
“Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabeá parecia lágrimas escorrendo.” (pág.50).
“As boas maneiras são a melhor herança.” (pág. 51).
“Tinha o tom cantando e o palavreado seboso próprio para quem abre a boca e fala pedindo e ordenando os direitos dos homens.” (pág. 52).
“Tinha descobrir agora dentro a semente do mal, gostava de se vingar, este era o seu grande prazer e o que lhe dava força de vida.” (pág. 53).
“Em pequena ela vira uma casa pintada de rosa e branco com um quintal onde havia um poço com cacimba e tudo.” (pág. 54).
“Estava habituada a se esquecer de si mesmo.” (pág. 55).
“Não chorava, por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido modos de viver, aceitava que com ela era assim.” (pág. 56).
“Ele falava coisas grandes, mas ela prestava atenção nas coisas insignificantes como ela própria.” (pág.57).
“E você tem cor de suja. Nem tem rosto nem corpo para ser artista de cinema.” (pág.58).
“O seu diálogo era sempre oco. Dava-se conta longinquamente de que nunca dissera uma palavra verdadeira.” (pág. 59).
“Ela teve inveja da girafa que pairava tão longe no ar. Tendo visto seus comentários sobre bichos não agradavam Olimpo procurou outro assunto.” (pág.60).
“Será que o meu oficio doloroso e o de adivinhar na carne a verdade que ninguém quer enxergar.” (pág.61).
“Nascera crestado e duro que nem galho seco de árvore ou pedra ao sol.” (pág.62).
“Macabéa gostava de filme de terror ou musicais, tinha predileção por mulher enforcada ou que levava um tiro no coração.” (pág.63).
“Posteriormente de pesquisa em pesquisa, ela soube, que Glória tinha mãe, pai e comida quente em hora certa.” (pág.64).
“Ria por não ter se lembrado de chorar.” (pág.65).
“Ela teve uma ideia já que ninguém lhe dava festa muito menos noivado, daria uma festa para si mesma.” (pág.66).
“Sim, mas o misterioso Deus dos outros lhe dava ás vezes um estado de graça.” (pág.67).
“Ninguém pode entrar no coração de ninguém.” (pág.68).
“No mundo de Glória, por exemplo, ele ia se locupletar, o frágil machinho. Deixaria enfim de ser o que sempre fora o que escondia até de si mesmo por vergonha de tal fraqueza.” (pág.69).
“Macabeá, enquanto glória saia da sala roubou escondido um biscoito.” (pág.70).
“A medida era apenas para ganhar dinheiro e nunca por amor a profissão nem a doentes.” (pág.71).
“Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho.” (pág.72).
“Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte.” (pág.73).
“Talvez por que sangue é a coisa secreta de cada um, a tragédia vivificante.” (pág.74).
“Olha, quando eu era mais moça tinha bastante categoria para levar vida fácil de mulher.” (pág.75).
“Eu era pobre, comia mal, não tinha roupas boas então caí na vida.” (pág.76).
“Eu tinha um homem de quem eu gostava de verdade e que eu sustentava por que ele era fino e não queria se gastar em trabalho nenhum.” (pág.77).
“até agora sempre fulgara que o que a tia lhe fizera era educá-la para que ela se tornasse uma moça fina.” (pág.78).
“Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazida por um homem estrangeiro.” (pág.79).
“- E agora – disse a madama- você vá embora para encontrar seu maravilhoso destino.” (pág.80).
“Ela de olhos afuscadas como se o último final da tarde fosse mancha  de sangue e ouro quase negro.” (pág.81).
“Eu ainda poderia voltar atrás em retorno aos minutos passados e recomeçar com alegria no ponto em que macabeá de pé na calçada.” (pág.82).
“O luxo da rica flama parecia cantar glória.” (pág.83).
“Só agora entendo e só agora brotou-se-me o sentido secreto: o violino é um aviso.” (pág.84).
“Os que me lerem assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.” (pág.85).
“Não, não era morte, pois Não a quero para a moça: só um atropelamento que não significava sequer desastre.” (pág.86).
“Basta descobrir a verdade que ela logo já não é mais: passou o momento.” (pág.87).

“No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada.” (pág.88).




DIEGO DE SOUSA CANUTO
8ºB
PROF: LUKA SEVERO
FICHAMENTO DO LIVRO: HORA DA ESTRELA
AUTORA: CLARICE LISPECTOR
- Clarice Lispector deixou vários depoimentos sobre a sua produção literária. Em alguns, parecia se defender do estranhamento que causava em leitores e críticos (PÁG. 3 )
- Hora da estrela leva esta proposta às últimas conseqüências e por isso a sua leitura torna-se tão instigante. ( PÁG. 4 )
- A hora da estrela este empreendimento assume uma ousadia e uma profundidade inusitadas. ( PÁG. 5 )
- Daíprojetar-se, como sentido último da realidade, a realidade que sempre está faltando. (PÁG. 6)
- Primeiro, como toda busca e toda pergunta são busca de algo e pergunta para alguém, o narrador, para saber, tem de desdobrar-se, tem de dialogar. ( PÁG. 7 )
- Em meio à tensão entre homem e mundo é que surge o debate em torno da palavra. ( PÁG. 8 )
- O narrador-escritor coloca desde o início o seu drama ao afirmar: “sou meu desconhecido”. ( PÁG. 9 )
- A sua atitude diante de Macabéa tem continuidade na atitude diante da linguagem. ( PÁG. 10)
- Na primeira vez, refere-se ao escritor; na segunda, a Macabéa. ( PÁG. 11 )
- Macabéa, em tudo e por tudo, é o oposto do herói épico. ( PÁG. 12 )
- A perspectiva estética vem a propósito de evitar o falseamento da realidade. (PÁG. 13)
- “história com começo, meio e gran finale seguido desilêncio e de chuva caindo”(PÁG. 14)
- O silêncio constitui a manifestação extremada da linguagem esvaziada, mas que emite novas significações. (PÁG. 15 )
- Em seguida o verbo dedicar transforma-se em dedicar-se, provocando uma mudança de sentido, pois confere à ação uma dimensão temporal ininterrupta, reavivando o sentido religioso que há em dedicar-se, o empenho de continuidade, de ligação profunda, para a qual a música desempenha um papel fundamental. (PÁG. 16)
- Eis o porquê da presença da música, forma de comunicação que prescinde da palavra, porque os sentimentos a sobrepujam. ( PÁG.17)
- “tudo no mundo começou com um sim”, temos diante de nós um enigma a decifrar e um desafio a empreender. ( PÁG. 18)
- À vibração das cores neutras deBach. A Chopin que me amolece os ossos. (PÁG.19)
- Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. (PÁG.21)
- Entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. (PÁG.22)
- Estou esquentando o corpo para iniciar, esfregando as mãos uma na outra para ter coragem. ( PÁG. 23 )
- Sim, mas não esquecer que para escrever não-importa-o-quê o meu material básico é palavra. (PÁG. 24 )
- A pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para os outros na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham. (PÁG. 25)
- Transgredir, porém, os meus próprios limites me fascinou de repente. E foi quando pensei em escrever sobre a realidade, já que essa me ultrapassa. (PÁG.26).
- Quero neste instante falar da nordestina. É o seguinte: ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. (PÁG.27).
- Mas sabendo antes paranunca esquecer que a palavra é fruto da palavra. (PÁG.28)
- Mas voltemos a hoje. Porque, como se sabe, hoje é hoje. Não estão me entendendo e eu ouço escuro que estão rindo de mim em risos rápidos e ríspidos de velhos. (PÁG.29)
- Esqueci de dizer que tudo o que estou agora escrevendo é acompanhado pelo rufar enfático de um tambor batido por um soldado. No instante mesmo em que eu começar a história – de súbito cessará o tambor. ( PÁG. 30 )
- Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. (PÁG.31).
- Tudo isso eu disse tão longamente por medo de ter prometido demais e dar apenas o simples e o pouco. Pois esta história é quase nada. O jeito é começar de repente assim como eu me lanço de repente na água gélida do mar, modo de enfrentar com uma coragem suicida o intenso frio. Vou agora começar pelo meio dizendo que – que ela era incompetente. ( PÁG. 32 )
- Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava toda atordoada. (PÁG. 33 )
- A moça tinha ombros curvos como os de uma cerzideira. Aprendera em pequena a cerzir. Ela se realizaria muito mais se se desse ao delicado labor de restaurar fios, quem sabe se de seda. Ou de luxo: cetim bem brilhoso, um beijo de almas. (PÁG. 34 )
- Há poucos fatos a narrar e eu mesmo não sei ainda o que estou denunciando. (PÁG. 35 )
- Esse não-saber pode parecer ruim mas não é tanto porque ela sabia muita coisa assim como ninguém ensina cachorro a abanar o rabo e nem a pessoa a sentir fome; nasce-se e fica-se logo sabendo. (PÁG. 36)
- O definível está me cansando um pouco. Prefiro a verdade que há no prenúncio. Quando eu me livrar dessa história, voltarei ao domínio mais irresponsável de apenas ter leves prenúncios. Eu não inventei essa moça. ( PÁG. 37 )
- Dos verões sufocantes da abafada rua do Acre ela só sentia o suor, um suor que cheirava mal. Esse suor me parece de má origem. Não sei se estava tuberculosa, acho que não. No escuro da noite um homem assobiando e passos pesados, o uivo do vira-lata abandonado. ( PÁG. 38 )
- Talvez a nordestina já tivesse chegado à conclusão de que a vida incomoda bastante, alma que não cabe bem no corpo, mesmo alma rala como a sua. ( PÁG. 39 )
- Tudo isso acontece no ano este que passa e só acabarei esta história difícil quando eu ficar exausto da luta, não sou um desertor. (PÁG. 40)
- Quando dormia quase que sonhava que a tia lhe batia na cabeça. Ou sonhava estranhamente em sexo, ela que de aparência era assexuada. (PÁG. 41).
- O pior momento de sua vida era nesse dia ao fim da tarde: caía em meditação inquieta, o vazio do seco domingo. (PÁG. 42)
- Todas as madrugadas ligava o rádio emprestado por uma colega de moradia, Maria da Penha, ligava bem baixinho para não acordar as outras, ligava invariavelmente para a Rádio Relógio. (PÁG. 43)
- Tinha o que se chama de vida interior e não sabia que tinha. Vivia de si mesma como se comesse as próprias entranhas. (PÁG. 44).
- Embora só tivesse nela a pequena flama indispensável: um sopro de vida. (Estou passando por um pequeno inferno com esta história. Queiram os deuses que eu nunca descreva o lázaro porque senão eu me cobriria de lepra). ( PÁG. 45 )
- Esqueci de dizer que às vezes a datilógrafa tinha enjôo para comer. Isso vinha desde pequena quando soubera que havia comido gato frito. Assustou-se para sempre. ( PÁG. 46 )
- Pois não é que quis descansar as costas, por um dia? Sabia que se falasse isso ao chefe ele não acreditaria que lhe doíam as costelas. (PÁG. 47 )
- Nesta manhã de dia 7, o êxtase inesperado para o seu tamanho pequeno corpo. A luz aberta e rebrilhante das ruas atravessava a sua opacidade. Maio, mês dos véus de noiva flutuando em branco. (PÁG. 48)
- E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiabada com Queijo (PÁG. 49)
Sem nem ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo. ( PÁG. 50 )
- No Nordeste tinha juntado salários e salários para arrancar um canino perfeito e trocá-lo por um dente de ouro faiscante. (PÁG. 51)
- As poucas conversas entre os namorados versavam sobre farinha, carne-de-sol, carne-seca, rapadura, melado. (PÁG. 52)
- Enfim o que fosse acontecer, aconteceria. E por enquanto nada acontecia, os dois não sabiam inventar acontecimentos. (PÁG. 53)
- Em pequena ela vira uma casa pintada de rosa e branco com um quintal onde havia um poço com cacimba e tudo. Era bom olhar para dentro. (PÁG. 54 )
- Não contou que o roubara no mictório da fábrica: o colega o tinha deixado na pia quando lavara as mãos. Ninguém soube, ele era um verdadeiro técnico em roubar: não usava o relógio de pulso no trabalho. (PÁG. 55)
- “Una Furtiva Lacrima” fora a única coisa belíssima na sua vida. Enxugando as próprias lágrimas tentou cantar o que ouvira. Mas a sua voz era crua e tão desafinada como ela mesma era. (PÁG. 56)
- Ele falava coisas grandes, mas ela prestava atenção nas coisas insignificantes como ela própria. (PÁG.57).
- Afinal terminou por voltar para ela. Por motivos diferentes entraram num açougue. Para ela o cheiro da carne crua era um perfume que a levitava toda como ,se tivesse comido. (PÁG.58).
- E uma vez os dois foram ao Jardim Zoológico, ela pagando a própria entrada. Teve muito espanto ao ver os bichos. (PÁG. 59)
- Depois da chuva do Jardim Zoológico, Olímpico não foi mais o mesmo: desembestara. (PÁG. 60).
- Quero cair morta neste instante se estou mentindo. Quero que meu pai e minha mãe fiquem no inferno, se estou lhe enganando. (PÁG. 61).
- Mas ainda não expliquei bem Olímpico. Vinha do sertão da Paraíba e tinha uma resistência que provinha da paixão por sua terra braba e rachada pela seca. (PÁG. 62).
- Macabéa gostava de filme de terror ou de musicais, Tinha predileção por mulher enforcada ou que levava um tiro no coração. ( PÁG. 63)
- Pelos quadris adivinhava-se que seria boa parideira. Enquanto Macabéa lhe pareceu ter em si mesma o seu próprio fim. ( PÁG. 64)
- É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade — provoca aquela saudade desmaiada e lilás, aquele perfume de violeta, as águas geladas da maré mansa em espumas pela areia. Eu não quero ( PÁG. 65 )
- A festa consistiu emcomprar sem necessidade um batom novo, não cor-de-rosa como oque usava, mas vermelho vivante. ( PÁG. 66 ).
- Era supersônica de vida. Ninguém percebia que elaultrapassava com sua existência a barreira do som. Para as pessoas outras ela não existia. A sua única vantagem sobre os outros era saber engolir pílulas sem água, assim a seco. (PÁG. 67 )
- Glória era toda contente consigo mesma: dava-se grande valor. Sabia que o sestro molengole de mulata, uma pintinha marcada junto da boca, só para dar uma gostosura, e um buço forte que ela oxigenava. Sua boca era loura. (PÁG. 68)
- Ele, para impressionar Glória e cantar logo de galo, comprou pimenta-malagueta das brabas na feira dos nordestinos e para mostrar à nova namorada o durão que era mastigou em plena poupa a fruta do diabo. (PÁG. 69)
- O médico olhou-a e bem sabia que ela não fazia regime para emagrecer. Mas era-lhe mais cômodo insistir em dizer que não fizesse dieta de emagrecimento. (PÁG. 70 ).
- O médico muito gordo e suado tinha tique nervoso que o fazia de quando em quando ritmadamente repuxar os lábios. O resultado era parecer que estava fazendo beicinho de bebê quando está prestes a chorar. (PÁG. 71).
Sim, estou apaixonado por Macabéa a minha querida Maca, apaixonado pela sua feiúra e anonimato total, pois ela não é para ninguém. Apaixonado por seus pulmões frágeis, a magricela. ( PÁG. 72 )
- Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. ( PÁG. 73)
- Não foi difícil achar o endereço da madama Carlota e essa facilidade lhe pareceu bom sinal. (PÁG. 74)
- Macabéa sentou-se um pouco assustada porque faltavam-lhe antecedentes de tanto carinho. E bebeu com cuidado pela própria frágil vida, o café frio e quase sem açúcar. (PÁG. 75)
- Pois faz bem porque eu não minto. Seja também fã de Jesus porque o Salvador salva mesmo. Olhe, a polícia não deixa pôr cartas, acha que estou explorando os outros, mas, como eu lhe disse, nem a polícia consegue desbancar Jesus. (PÁG. 76 )
- Então vou me cuidar para não escapulir nenhum palavrão, fique sossegada. Ouvi dizer que o Mangue tem um cheiro insuportável. No meu tempo a gente punha incenso queimando para dar um ar limpo na casa. Até tinha cheiro de igreja. (PÁG. 77 )
- Macabéa separou um monte com a mão trêmula: pela primeira vez ia ter um destino. Madama Carlota (explosão) era um ponto alto na sua existência. ( PÁG. 78 )
- Macabéa nunca tinha tido coragem de ter esperança. ( PÁG. 79 )
- Pois vai ter só para se enfeitar. Faz tempo não boto cartas tão boas. E sou sempre sincera: por exemplo, acabei de ter a franqueza de dizer para aquela moça que saiu daqui que ela ia ser atropelada, ela até chorou muito, viu os olhos avermelhados dela? ( PÁG. 80 )
- julgava feliz.Saiu da casa da cartomante aos tropeços e parou no beco escurecido pelo crepúsculo — crepúsculo que é hora de ninguém. Mas ela de olhos ofuscados como se o último final da tarde fosse mancha de sangue e ouro quase negro. ( PÁG. 81)
- Prestou de repente um pouco de atenção para si mesma. O que estava acontecendo era um surdo terremoto? Tinha-se aberto em fendas a terra de Alagoas. Fixava, só por fixar, o capim. Capim na grande Cidade do Rio de Janeiro. (PÁG. 82)
- Então começou levemente a garoar. Olímpico tinha razão: ela só sabia mesmo era chover. Os finos fios de água gelada aos poucos empapavam-lhe a roupa e isso não era confortável. ( PÁG. 83 )
- Apareceu portanto um homem magro de paletó puído tocando violino na esquina. Devo explicar que este homem eu o vi uma vez ao anoitecer quando eu era menino em Recife e o som espichado e agudo sublinhava com uma linha dourada o mistério da rua escura. ( PÁG. 84 )
- Por enquanto Macabéa não passava de um vago sentimento nos paralelepípedos sujos. Eu poderia deixá-la na rua e simplesmente não acabar a história. ( PÁG. 85 ).
- Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais de Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. ( PÁG. 86 )
- Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, morrer é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a moça. Desculpai-me esta morte. ( PÁG. 87 )
- O final foi bastante grandiloqüente para a vossa necessidade? Morrendo ela virou ar. Ar enérgico? Não sei. Morreu em um instante. O instante é aquele átimo de tempo em que o pneu do carro correndo em alta velocidade toca no chão e depois não toca mais e depois toca de novo. Etc., etc., etc. No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada. (PÁG.88)